Dolphin English School 

O Camboja foi o terceiro e último país onde fiz trabalho voluntário durante minha viagem. O plano era ter chegado no início de Agosto de 2017 para ficar 3 semanas, mas devido a mudanças no meu itinerário acabei chegando lá apenas no final de Setembro.
O projeto que eu escolhi foi dar aulas de inglês na escola  "Dolphin English School" que fica localizada na província de Kratie, uma pequena cidade na beira do Rio Mekong com cerca de 36 mil habitantes. Conheci este projeto através do meu grande amigo viajante Rodolfo Lage (@rodolfolagefotografia), quando vi as fotos da viagem dele de um ano pela Ásia em 2016. Pesquisei melhor sobre a escola no site do Workaway* e desde 2016 já estava em contato com o Yuth, o grande responsável pela escola existir e uma pessoa que, certamente, tem toda a minha admiração. Assim como no Laos, no Camboja, também, é super importante para as crianças e adolescentes aprenderem inglês e, desta forma, terem a possibilidade de um futuro melhor. Em Kratie, em torno de 70 crianças carentes são beneficiadas pelo projeto do Mr.Yuth. Fazer diferença no futuro de crianças me inspira muito e por isto escolhi este projeto (assim como no Laos).
Depois de uma visita a capital Phnom Penh*, onde pude conhecer mais de perto a história triste do genocídio que o Camboja sofreu durante 4 anos sob o regime do Khmer Rouge, parti de van para Kratie e minha ansiedade era maior que o normal. A viagem demorou algumas horas e a ansiedade, na realidade, era aquela ansiedade boa do desconhecido, de um novo destino, do querer fazer o bem, dar o meu melhor e fazer realmente a diferença para a comunidade.

 

 

 

 


 

​​Bom, quando cheguei na escola, tive a grata surpresa de conhecer o Yuth (fazendo o post me dei conta que não tiramos nenhuma foto!) e, também, a família becker (@thebeckerworkaway), que era um casal de americanos que estava viajando com os 3 filhos adolescentes por 5 meses. Sim! 3 filhos grandes, sendo que 2 estavam fazendo "home school" durante a viagem já que a mãe é professora! O mais legal? Eles estavam viajando e fazendo workaway em todos os países, que foi a forma que eles acharam de seguir o sonho de poder viajar os 5 juntos dentro do orçamento da família. Foi inspirador demais ter a oportunidade de ter contato com esta família especial, a primeira e única família viajante que conheci durante a minha trip. Logo que cheguei eles me acolheram e falaram que poderíamos fazer as refeições sempre juntos, já que eles estavam na casa dos voluntários e eu tinha ficado num quarto separado da casa. Como não tinha geladeira, todos os dias íamos cedinho até o mercado local e comprávamos os mantimentos para café e almoço. A noite sempre íamos a algum restaurante da cidade e a Maureen (a mãe) era a minha parceira de vinho (a taça era superrrr barata no Camboja comparado aos outros países do sul a Ásia! feliz! kkk). As atividades de ir ao mercado, fazer café, almoço e lavar os pratos eram sempre divididas entre todos. :)


 

 

 

 

 

 

 

 

O dia que cheguei era um sábado e as aulas eram dia de semana, então eu ainda tinha 2 dias para organizar as coisas antes de começar. Recebi dicas da família de como as aulas funcionavam e os materiais que estavam disponíveis, trocamos idéias, conheci algumas das crianças que estavam pela comunidade e logo comecei a ouvir a grande pergunta: "are we going to swim tomorrow" ? (nós vamos nadar amanhã?). Foi então que fiquei sabendo da existência de uma piscina comunitária no vilarejo e que ela era a grande alegria das crianças nos domingos, pois já era comum os voluntários levarem elas para brincar. Claro que nos organizamos e, no dia seguinte, levamos a criançada para um tibum na piscina. Foi a maior farra!!! hehe Nestes pequenos momentos, você já sente aquela coisa boa no peito de poder se doar e proporcionar algumas horas de felicidade para aquelas crianças, que em pouco tempo, já se mostraram super carinhosas, espertas e especiais.
Na segunda-feira me preparei para a aula do nível 1, estava animada apesar de sentir meu corpo muito cansado. Logo fiquei sabendo que na realidade daria aulas na cidade e não no vilarejo onde estava morando. Preparar a aula é algo tão especial quanto dar a aula, porque você tem que colocar bastante energia e amor ali naquele momento para garantir que as crianças vão ficar atentas e absorber o que você está ensinando. Para quem não é professora como eu, é meio desafiador, mas eu curti pra caramba estes momentos no Camboja e, também, no Laos. Como a escola era na cidade, eu ia de bicicleta e este era outro momento legal do dia. Eu amo andar de bicicleta, e me entristece o fato de não me sentir segura para ter uma na minha própria cidade (e uma scooter também), mas nestes vilarejos pequenos da Ásia é muito legal a sensação de liberdade e tranquilidade na bike, fora que você tem a oportunidade de se sentir mais inserida no contexto e observar muito mais da vida local nos lugares onde você passa. A temperatura na época que fui estava bem elevada, então o vento no rosto da bike era bom demais.

A turma na escola era pequena (comparada a turma enrome que eu tinha no Laos :)!), mas as crianças eram super interessadas, adoravam joguinhos, curtiam muito ir no quadro e, dava para ver pelo olhar e pelo jeito carinhoso, o quanto eram gratos pela minha presença. Não tem como o coração não ficar feliz quando você sente que as pessoas são gratas pela tua ajuda. É simplesmente um sentimento bom, que faz bem.
Esta foi minha rotina durante a primeira semana no voluntariado, o projeto que mais esperei junto com o Hai África, mas, infelizmente, a ida para o Camboja coincidiu com a época que bateu o cansaço extremo da viagem e não consegui me conectar com o local da forma que eu gostaria. Tenho certeza que minha ansiedade antes da chegada era muito ligada ao fato que já sabia que estava cansada. ;( Fazer trabalho voluntário é algo que te enche de amor por estar fazendo o bem e dedicando teu tempo para ajudar o próximo, mas para a experiência ser completamente transformadora e agregadora, sob o "meu ponto de vista", seu corpo físico também precisa estar legal, pois você precisa de toda a energia possível para se doar de forma positiva para as outras pessoas.
Em função do meu momento e, também, por ter ficado doente na Sexta-feira, tomei a decisão difícil de ir embora de Kratie no Sábado, uma semana depois que cheguei. Isto me entristeceu bastante, porque não era algo que eu esperava que acontecesse, mas ao mesmo tempo deixou meu coração mais tranquilo. Inclusive foi muito difícil escrever sobre isto, considerando que os projetos que eu escolhi me envolver eram momentos muito significativos da trip.
No dia que decidi partir, algo extremamente especial aconteceu. O filho do fundador da escola veio até a porta do meu quarto e começou a fazer uma pipa. O que eu não sabia é que ele estava fazendo aquela pipa de presente pra mim. E como não sentir uma felicidade imensa em receber tanto carinho de uma criança que te conhecia há poucos dias? Aquele gesto de amor daquele menino me tocou e deixou meu coração triste e feliz ao mesmo tempo, triste pela partida e feliz pela oportunidade de estar ali vivendo aquele momento. Guardei a pipa na mochila, agradeci e, óbvio, este foi um dos items de viagem que nunca me desfiz. A pipa está guardada com carinho na minha casa em Porto Alegre! :)
As crianças no Camboja são muito faceiras, espertas e levam uma vida super simples. Lá na comunidade não existiam brinquedos e, muito menos, eletrônicos para eles se entreterem quando não estavam estudando, por isto eu amei o fato de eles se virarem e darem um jeito de "criar" brinquedos com o que tinham. Me impressionou ainda brincarem com pipas e fundas, sendo que a funda eles faziam com garrafas pequenas pet e colocavam um balão na ponta. Não é sensacional a criatividade? Eu achei um amor. Mas até mesmo os balões são algo que eles não tem condições de comprar toda hora, então acabam aproveitando a oportunidade da escola estar sempre com voluntários e pedem balões de presente. Por outro  lado, uma questão que me incomodou no Camboja (e claro, outros países da Ásia também), foi a falta de consciência ambiental. Entendo que as vezes falta informação, mas lá em Kratie as pessoas jogam lixo literalmente no chão. As crianças comem bala ou qualquer outra coisa e jogam as embalagens na grama. Não é por acaso que os países Asiáticos estão na lista dos que mais poluem nossos oceanos. É bem triste esta realidade!
Não foi fácil ir embora, mas o tempo curto em Kratie me propiciou, independente de qualquer coisa, muitas conexões legais e aprendizados de vida com as crianças, o Yuth e a família Becker.
Para fechar meu relato, queria dizer que meu sentimento em relação ao "fazer trabalho voluntário" é que ele realmente te transforma, abre muito a mente,  dá a oportunidade de ter novas percepções e, principalmente, te dá a chance de dar e receber amor. E isto é independente do tipo de ação, do local e do tempo que você investe em qualquer causa, o que importa é tua vontade de ajudar o próximo, de compartilhar, de se doar e fazer o bem! Energia do bem no Universo gera mais energia do bem, então se doar para uma causa será sempre algo positivo na vida de todas as pessoas envolvidas.


Muito grata por estes dias no Camboja! E obrigada aos meus amigos que fizeram a diferença de longe ajudando com doações para a escola.

* Dica de Phnom Penh: Li o livro e assisti o filme "First they killed my father" antes de chegar no Camboja. Vale a pena para entender mais da história do país e do que você vai encontrar por lá. Não vai, nem de perto, te preparar para o que você vai sentir quando ver, mas foi super interessante (e triste) estudar sobre o assunto e, pelo menos tentar, me preparar antes de chegar....

* Workaway: é uma comunidade global onde os viajantes podem transformar suas viagens em algo mais genuíno através de trabalho voluntário e contato com locais. O site tem projetos (de todos os tipos) no mundo inteiro e você troca trabalho voluntário por acomodação e alimentação. Existe uma taxa diária (em torno de $5), mas com certeza vale a pena por toda a experiência e também custo-benefício. ;) Para usar o site também é preciso pagar uma anuidade. Ah, e vale sempre ler os comentários e feedbacks dos viajantes antes de escolher um projeto.

Mais informações sobre a escola:

 

Site: http://dsecambodia.wixsite.com/dolphinschool
Instagram: @dolphin_school_of_english
Facebook: https://www.facebook.com/dolphinschoolofenglish/

QUEM É A GRAZI?

Olá, sou a Grazi Inácio, idealizadora do Follow Me Por Ai, empreendedora, facilitadora de projetos, encantada por projetos sociais, palestrante e exploradora do mundo. Viajar e estar perto da natureza é puro amor,  fazer projetos acontecerem é uma das minhas paixões. Tenho 42 anos e já viajei por mais de 40 países. Trabalhei por quase 14 anos em uma multinacional coordenando projetos globais na área de tecnologia, trabalhando com pessoas distribuídas por vários países e tendo a oportunidade de viajar e conhecer muitos lugares pelo mundo. ...

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Phnom Penh (Killing fields)