EEAF - Equal Education for All 

Conheci o site do Workaway* no ano passado, quando iniciei o planejamento da minha trip e, desde então, comecei a pesquisar projetos sociais onde eu pudesse fazer trabalho voluntário. Meu objetivo era trabalhar com crianças ou simplesmente algo que me inspirasse da mesma forma que o Hai África me inspirou a incluir o Quênia no meu roteiro. Já tinha uma dica de um projeto no Camboja, mas o Laos era um dos países que eu queria conhecer na Ásia e foi quando eu encontrei o SAE LAO (agora EEFA), na cidade de Vang Vieng (Vilarejo Ban Nathong). Este projeto tem como lema "Educação igual para todos" e o grande objetivo de dar oportunidade para crianças e adolescentes aprenderem inglês, além da consciência ambiental, preparação profissional e suporte para a comunidade desenvolver formas sustentáveis de viver. Curti muito o projeto e do Brasil já entrei em contato com o coordenador para combinar a minha ida. 
Então, falando um pouco sobre o Laos e contando um pouco de como foi esta experiência.
O Laos é um país asiático fascinante, uma paisagem montanhosa linda com o Rio Mekong (um dos maiores do mundo) cruzando o país de norte a sul. Tem 6 milhões de habitantes e a maioria é budista e, pelo menos, 25% deste número está abaixo da linha de pobreza. Aprender inglês é muito importante para as crianças e adolescentes porque, com certeza, vai ajudar na busca de um futuro melhor.
Fiquei 1 mês no país, sendo que 2 semanas e meia foram no projeto. Este tempo, na realidade, pareceu muito maior, porque acredito do fundo do coração que quando você se doa, a experiência é muito mais INTENSA, com momentos GRATIFICANTES que te transformam e te enchem de alegria por estar ali tentando fazer a diferença para as crianças e para você mesmo. Foram muitos DESAFIOS, bastante trabalho (que me geraram dores diárias por todo o corpo hehe), diversos novos amigos, contato com uma cultura diferente e, principalmente, APRENDIZADOS que vou levar para o resto da minha vida. 
No primeiro dia, na reunião no ponto de encontro, já me surpreendi com o número de voluntários e foi muito legal ouvir, também, deles, os motivos pelos quais estavam lá. Deu para sentir que ia rolar uma vibe e energia legal nos próximos dias. As amizades já começaram na mesa que compartilhei com outras pessoas! A reunião terminou e o primeiro desafio, colocar todos os voluntários e as bagagens na caçamba do caminhãozinho que seria nosso transporte oficial. Nem preciso dizer que foi mega divertido e a primeira tarefa foi finalizada com sucesso! Nos dirigimos ao SAE LAO, onde ocorreu a segunda reunião e os coordenadores dividiram os novos voluntários em dois grupos, perguntando quem gostaria de ir para projeto novo, que era trabalhar na construção do segundo site no Vilarejo Phondindaeng. Hesitei um pouco porque sabia que era trabalho mais pesado (algo novo pra mim!), mas ao mesmo tempo uma vozinha interna me dizia que ia sentir orgulho de ver no final o resultado de algo mais concreto, além da experiência incrível e genuína que teria com as crianças. Quando o Arbie (que depois se tornou um grande amigo!) me olhou e falou "come on, you have to join us! it is going to be fun!" e eu entender que tinha muita coisa diferente para fazer, decidi aceitar o desafio e foi a melhor decisão que podia ter tomado! Colocar a mão na massa, na madeira, no martelo e na tinta, todos os dias, foi literalmente inspirador pelo fato de que terminar o site significaria trazer mais voluntários (..e, consequentemente, ajudar mais crianças)! Este grupo ficou temporariamente morando numa fazenda orgânica e não no site principal do SAE LAO. Na primeira semana eu era a única mulher na fazenda e o segundo desafio (depois do caminhão hehe!) foi dividir casa, quarto e banheiro com 6 meninos. Éramos 7, 1 banheiro, 1 quarto com 7 colchões finos no chão  (que não tenho nenhuma foto infelizmente!) E "1 ventilador". Ah e não podíamos ter comida no quarto para não chamar a atenção de animais, incluindo "cobras" (que eu tenho pavor!kkk). Foi uma experiência e tanto, mas, sem dúvida, extremamente agregadora. Os meninos eram demais e em nenhum momento me senti diferente por ser a única pessoa do sexo feminino (e a mais velha! ;)). Muito pelo contrário! Fora que a fazenda era linda, com um rio onde tínhamos o privilégio de mergulhar depois dos dias quentes de trabalho! Na segunda semana a Dorrie, minha amiga querida e cheia de personalidade do Alasca, se juntou ao grupo. Foi ótimo poder ter alguém para conversar coisas de mulher!
Durante este período, no SAE LAO, dividíamos nosso tempo entre o trabalho no site e as aulas de inglês para as crianças locais. As aulas, na realidade, eram nosso maior e mais importante objetivo! Tínhamos que trabalhar 5 horas por dia. De manhã íamos para o site, de tarde preparávamos as aulas e final da tarde íamos para escola. Sobre as aulas de inglês, eu acabei ficando responsável pelo nível 1 e o primeiro dia de aula foi super desafiador. Imagina você numa sala de aula onde as crianças falam absolutamente nada de inglês e você não fala a língua local? Pois é, lembro que naquele dia fui embora mega frustrada, mas ao mesmo tempo senti aquele momento me inspirar ainda mais e comecei a ver alternativas de como tornar a aula melhor. No final das contas eu queria mesmo é que as crianças aprendessem a falar inglês. Então, todos os dias eu comecei a ir no Google ver opções de como ensinar a lição que seria ministrada e recebida pelas crianças, trocava idéias com a galera (rolava um teamwork legal!) e, também, muitas vezes recorria a minha mãe e a minha irmã que são professoras no Brasil. Ainda na primeira semana, resolvemos juntar as duas turmas do nível 1 o que ajudou muito no rendimento dos grupos! Ter dois professores na sala foi mais fácil de gerenciar a criançada e os momentos de aperto :). Um ajudava o outro! Alguns dias depois recebemos mais um grande suporte, a Sethao, uma menina do nível 4 que se tornou voluntária na escola. Ela fez toda a diferença por falar a língua local! Ela era um doce e muito inteligente, a irmã dela era a melhor da sala, no nível 1, e de cara passamos ela para o nível 2. A energia de todos juntos e a vontade de fazer o bem tornou a experiência ainda mais especial! Não tinha como não ficar feliz vendo as crianças animadas repetindo as palavras, respondendo as perguntas e vindo no quadro interagir com os conteúdos. No início eram muito tímidos, mas aos poucos foram se soltando e começaram a levantar a mão para vir ao quadro, já foi um ganho enorme! Sentir que estava fazendo uma pequena diferença na vida deles me fez feliz todos os dias! Fazer o bem faz muito bem para nossa alma e tenho cada vez mais certeza disto!
Das quase 3 semanas que fiquei em Vang Vieng, uma semana inteira choveu (sem parar dia e noite!) e este foi, também, um momento de grande aprendizado e treinamento ao desapego...Todos os dias tínhamos que ir e voltar "a pé" do trabalho e das aulas numa estrada de chão batido que tinha se tornado puro barro por causa da chuva. Fora o caminho da nossa casa até a entrada da fazenda que também era pura aventura! Não tinha opção, tinha que ir na chuva e pelo barro mesmo, hehehe. A inspiração e motivação vinha mesmo com as roupas e sapatos molhados, e cheios de barro. Usei a mesma roupa vários dias porque ia molhar ou sujar de qualquer jeito. Quis adicionar este comentário aqui porque, pra mim, realmente não foi tão fácil esta semana. Foi diferente, inusitado e, apesar de parecer simples, foi fora da minha realidade de sempre andar de carro em Porto Alegre. De qualquer forma, você se acostuma e, o que te dá força é o fato de que tudo é por um objetivo maior, que é fazer a diferença para as crianças que estavam lá todos os dias nos esperando com aqueles olhinhos brilhantes e curiosos, jeito tímido, sorrisos no rosto, querendo um futuro melhor e sendo gratos pela nossa presença. Tudo valeu a pena e tenho certeza que, no final, fui eu que aprendi muito mais com eles. Na minha última semana, fomos todos transferidos para o site principal do SAE LAO. Agora éramos 27 voluntários (sim! :)) dividindo a mesma casa, 2 banheiros, 2 chuveiros e todas as tarefas diárias do site (incluindo limpeza, fazer comida e as várias outras tarefas de manutenção do site). Foi uma experiência e tanto de convivência, quase nada de conforto, e mais uma vez foram momentos em equipe e entre amigos que, simplesmente, me acrescentaram como pessoa. Agradeço sempre por todas as experiências que tive e as pessoas que conheci. Tudo foi, sem dúvida, positivo e significativo!   
Falando um pouco sobre a construção do site (nossa tarefa secundária!), fiquei no grupo que focou no dormitório e foram muitas as coisas que fizemos, tal como: construímos 8 camas de madeira do zero (o que incluiu cortar todas as madeiras, lixar, preparar e pintar), fizemos o portão para proteger o terreno, fizemos também prateleiras, varremos, limpamos, tiramos manchas de tinta do chão, aplicamos produto nos vários ninhos de insetos que tinha pela casa, tapamos, temporariamente, os vidros quebrados e colocamos barras nas janelas para ter mais segurança. Além disto, outro grupo estava focado na construção do chuveiro e da cozinha (..e eles fizeram muita coisa mesmo sem experiência!). A casa era muito antiga e com uma estrutura bem precária, mas tenho certeza que fizemos nosso melhor no tempo que estivemos por lá! Foi muito show a experiência, o teamwork, a troca entre a galera e, principalmente, o fato de estarmos ajudando o SAE LAO a aumentar a estrutura para trazer mais voluntários. No final, tudo era em benefício das crianças. Infelizmente fui embora e ainda não estava 100%, de qualquer forma me despedi de Vang Vieng com sentimento de dever cumprido! Sai do Laos muito feliz e certamente diferente.

Quando estava escrevendo este relato há poucos dias atrás, li um post do Hai África que falava sobre o "Do for Love", o projeto de uma brasileira que viajou por 6 meses pela Ásia fazendo voluntariado e escreveu um livro. Li sobre este projeto durante meu planejamento e é inspirador demais. No post do Hai eles mencionam a definição perfeita dela de trabalho voluntário. Resolvi terminar meu post com as palavras do livro: "Trabalho voluntário não é coisa de gente santa. Não é para quem quer mudar o mundo ou ser bem visto. Trabalho voluntário é para quem quer mudar a si mesmo e está disposto a aprender por meio de contato com novos mundos. É uma excelente ferramenta de empatia, onde o aprendiz ensina mais que o professor. Voluntariar é transbordar de tanto aprendizado e gratidão, é superar dores e desafios inimagináveis, porque vê na história do outro as bênçãos de sua própria vida. A nossa  maior ligação é humana, feita de respeito e gentileza. Onde existem voluntários, existe a mistura das cores, das classes, das crenças e de passados. A curiosidade pelo outro alimenta nossa alma sedenta por sentimentos reais! Voluntariar é doar amor para curar a dor do outro, e sem saber, descobre que esse é o remédio para curar a sua própria. O trabalho voluntário já me permitiu acesso a mundos proibidos: corações de monges, de sonhos de monjas, perdas de refugiados, dores de presos políticos e a esperança que mora em sorrisos. Em todos estes mundos eu encontrei um olhar de gratidão profundo, desses que desconstroem quem achávamos que éramos e faz renascer quem realmente queremos ser nesse mundo" (Letícia Mello, autora do livro "DoForLove" sobre viagens, amor e trabalho voluntário).

 

Obrigada Laos!

Informações sobre o SAE LAO: http: //www.saelaoproject.com.
 

* Workaway: https://www.workaway.info/
Workaway é uma comunidade global onde os viajantes podem transformar suas viagens em algo mais genuíno através de trabalho voluntário e contato com locais. O site tem projetos (de todos os tipos) no mundo inteiro e você troca trabalho voluntário por acomodação e alimentação. Existe uma taxa diária (em torno de $5), mas com certeza vale a pena por toda a experiência e também custo-benefício. ;) Para usar o site também é preciso pagar uma anuidade. Ah, e vale sempre ler os comentários e feedbacks dos viajantes antes de escolher um projeto.

* *  As fotos preto e branco e a montagem do EEFA foram tiradas pelo meu grande amigo francês e fotógrafo profissional Melchior Toklatian. Ele tem um dom especial para tirar fotos de pessoas e conseguiu capturar momentos das crianças e dos voluntários de forma super autêntica e genuína. Ah, e claro que tenho autorização dele para publicá-las por aqui. :) Site: https://www.melchiortoklatian.com e  Instagram: meto.paris

Fotos da fazenda orgânica, da nossa casa e do site do SAE LAO:

Fotos da escola, do site 2 e dos voluntários:

SOBRE A AUTORA

Olá, meu nome é Grazi Inácio, sou empreendedora, gestora de projetos encantada por projetos sociais, viajante, palestrante, quase escritora :), uma apaixonada por viagens, pelo mundo e pelo poder positivo das conexões entre pessoas. Tenho 41 anos, trabalhei por quase 14 anos em uma multinacional coordenando projetos globais na área de tecnologia e trabalhando com pessoas distribuídas por vários países....

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